domingo, 16 de janeiro de 2011

Cavaco falta ao funeral de José Saramago apesar do luto nacional

Reacção à polémica em São Miguel, nos Açores

 

Saramago: Cavaco Silva diz ter cumprido obrigações como Presidente 

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O Presidente da República desvalorizou hoje “alguma polémica estéril” gerada em torno da sua actuação em relação à morte de José Saramago, garantindo ter feito o que lhe competia como chefe de Estado.

Em declarações aos jornalistas na ilha de S. Miguel, onde hoje termina quatro dias de férias, Cavaco Silva sublinhou que aquilo que o chefe de Estado deve fazer é “diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos”. “Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago”, declarou o Presidente da República.

Cavaco Silva referiu que na sua qualidade de chefe de Estado emitiu “uma nota oficial prestando homenagem à obra literária de José Saramago e ao seu contributo para a projecção da cultura portuguesa no mundo”, enviou uma coroa de flores e promulgou o decreto de declaração de dois dias de luto nacional. “Hoje de manhã o meu chefe da Casa Civil e o meu chefe da Casa Militar apresentaram sentidas condolências aos familiares de José Saramago”, acrescentou.

Interrogado sobre se os restos mortais do Nobel Português devem ir para o Panteão Nacional, disse tratar-se de uma matéria da competência da Assembleia da República.

Cavaco Silva recordou ter sido o Parlamento que decidiu a recente trasladação para o Panteão dos restos mortais de Aquilino Ribeiro, o que aconteceu décadas depois da sua morte. O Presidente da República justificou ainda a sua permanência de férias em S. Miguel, apesar da morte de Saramago, com a importância que para ele tem a palavra dada.

“Todos os portugueses sabem que desde quinta-feira à noite estou nos Açores, em S. Miguel, cumprindo uma promessa que fiz há muito tempo a toda a minha família, filhos e netos, de lhes mostrar as belezas desta região”, declarou. Cavaco Silva recordou, também, o seu apelo recente para que os portugueses “não deixem de conhecer a riqueza paisagística, a riqueza cultural e histórica do nosso país até antes de conhecerem outras partes do mundo e os Açores tal como a Madeira têm algo que não deve deixar se ser conhecido”. “Eu quis que desde o neto de mais tenra idade à neta com mais anos e os filhos também tivessem oportunidade”, acrescentou.

O Presidente da República decidiu não interromper o curto período de férias que passou nos Açores, e que termina hoje, para marcar presença, em Lisboa, no funeral de José Saramago.

Na sexta-feira, dia da morte de Saramago, Cavaco Silva enviou uma mensagem de condolências à família do escritor, em que recordava a sua "projecção mundial". "Justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago será sempre uma figura de referência da nossa cultura". Mas, feito o reconhecimento, Cavaco Silva decidiu não regressar a Lisboa mais cedo para participar nas cerimónias fúnebres.




1 comentário:

  1. Nada se perde. Não me parece que o Saramago o quisesse por perto.

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